Carlos Sousa de Almeida e Carlos M. Fernandes (organizadores)
Traduções de Carlos Sousa de Almeida



Introdução por Carlos M. Fernandes
Posfácio por Carlos Sousa de Almeida



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Os melhoramentos do daguerreótipo

«Pode acrescentar-se que tudo o que tem sido feito desde então quanto ao daguerreótipo são melhoramentos na mesma direcção. Este tem o cunho de uma grande invenção – não requer nem admite nenhum desvio essencial do seu processo. Aqueles que têm contribuído para o aperfeiçoar são da mesma raça do inventor.  O primeiro [Fizeau], ao utilizar uma solução de cloreto de ouro, protegeu o daguerreótipo do desgaste e deu-lhe um acabamento e uma qualidade mais elevados.» in Lady Elizabeth Eastlake, «Fotografia» (1857)


Hippolyte Louis Fizeau,  Excursões Daguerrianas, década de 1840

Artista de daguerreótipos

«Os anais da fotografia, coligidos no London Directory, embora tão recentes, são minuciosos. Já em 1842, um indivíduo de nome Beard intitulou-se artista de daguerreótipos. Em 1843, abriu estabelecimentos em quatro bairros diferentes de Londres, chegando mesmo à Wharf Road e à City Road, e assim abasteceu sozinho a capital até 1847.» in Lady Elizabeth Eastlake, «Fotografia» (1857) 


Jabez Hogg faz um retrato no estabelecimento de Richard Beard
daguerreótipo de autor desconhecido, 1843

Daguerreótipo de Richard Beard, 1845
Sir John Franklin


Um caso prodigioso

«Anunciamos uma importante descoberta do nosso célebre pintor de dioramas, o Sr. Daguerre. Esta descoberta é um caso prodigioso. Confunde todas as teorias da ciência sobre a luz e a óptica e fará uma revolução nas artes do desenho. O Sr. Daguerre descobriu a maneira de fixar as imagens que se pintam no fundo de uma câmara escura; de tal modo que essas imagens já não são o reflexo transitório dos objectos, mas a sua impressão fixa e duradoura, podendo ser levadas da presença desses objectos como um quadro ou uma gravura.» in Hippolyte Gaucheraud, «Belas-Artes. Nova Descoberta»,1839


História e Descrição do Daguerreótipo e do Diorama, Daguerre, 1839

Diorama (restaurado) de Daguerre na Igreja de Bry-sur-Marne, 1842


Daguerreótipo O Estúdio do Artista, Daguerre, 1837

O retrato

«- Vamos fazer-lhe um retrato admirável, senhor. Nem o reconhecerão. - E de que serve fazer um daguerreótipo – exclama Balandard – se não me reconhecem? – É uma maneira de falar, meu caro senhor… Queira sentar-se e não se mexa...»  in Champfleury, A Lenda do Daguerreótipo (1863) 


Litografia de Honoré Daumier, da série Les Bons Bourgeois, 1847

[Posição tida como a mais cómoda para se obter um belo daguerreótipo]

Houve, no entanto, antes de se chegar à fotografia e ao retrato, outras tentativas e métodos, como por exemplo o das silhuetas e a respectiva máquina para o seu desenho. 

William Talbot escrevia sobre o método das silhuetas:
«Outra finalidade para a qual penso que o meu método virá a ser muito conveniente é a da realização de retratos de perfil ou silhuetas. Estes são actualmente feitos à mão a partir das sombras projectadas por uma vela. É muito natural, porém, que a mão se afaste do contorno exacto, e basta um pequeno desvio para que a semelhança se altere de maneira extraordinária. Creio que este processo manual não tem comparação com a precisão e a fidelidade com que o retrato é obtido mediante a acção dos raios solares.» in «Sobre a Arte do Desenho Fotogénico, ou processo segundo o qual os Objectos da Natureza por si mesmos se desenham sem o socorro do Lápis do Artista»


Ensaios sobre a Fisiognomonia, Johann Kasper Lavater, 1792

Ou ainda o do fisionotraço, inventado por Gilles-Louis Chrétien, um processo mecânico de execução de retratos (abaixo).




Conde de Yoldi pelo fisionotraço, colecção Veerle Van Goethem 

«Tirar uma sombra»

«Sombra», em japonês, diz-se «kage». «Retrato» também. E a tradução literal do termo japonês para fotografar ou tirar uma fotografia, «satsuei», é «tirar uma sombra».


 Eliphalet Brown Jr. fazendo daguerreótipos em Okinawa, 1856 (litografia)

A apreensão inicial com a daguerreotipia

Segundo Nadar, Honoré de Balzac nunca conseguiu superar uma apreensão inicial com a daguerreotipia. Acreditava que cada corpo, na Natureza, é composto de espectros sobrepostos, infinitesimalmente, em camadas, e que a operação daguerriana roubava um desses espectros.



Balzac em 1842. Daguerreótipo de Louis-Auguste Bisson

O entusiasmo inicial

«O aparelho em si deve indubitavelmente ser considerado como o mais importante, e porventura o mais extraordinário, triunfo da ciência moderna. (...) a chapa daguerreotipada é infinitamente (usamos o termo deliberadamente), é infinitamente mais precisa na sua representação que qualquer outra pintura feita por mãos humanas.», Edgar Allan Poe, «O Daguerreótipo», 1840 


Daguerreótipo, anterior a 1843, de Edgar Allan Poe,
reproduzido da publicação «The Critic» 46, Abril de 1905.
Conhecido como daguerreótipo «McKee»
(do nome do seu último possuidor identificado).
Localização do original desconhecida.



New York Times & Commercial Intelligencer, Nova Iorque, Vol. 4, N.º 609, 3 de Março de 1840



Retrato de Jovem (um dos primeiros daguerreótipos feitos nos EUA), Samuel Morse, 1840

Uma invenção «das mais úteis e mais extraordinárias»

«Ela consiste na reprodução espontânea das imagens da natureza recebidas na câmara escura, não com as suas cores, mas com uma grande delicadeza de gradação de tons.» in Louis-Jacques-Mandé Daguerre, «Daguerreótipo», 1938-39